terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Trabalhismo e a identidade brasileira

Operários, obra de Tarsila do Amaral


O Trabalhismo no Brasil, desde sua fundação, sempre teve um projeto popular de nação. As experiências políticas promovidas pelos trabalhistas visavam a formação moderna do Brasil como uma pátria voltada aos interesses do seu povo, razão de ser e de existir do país.
Foi com o Trabalhismo que começou a valorização da cultura nacional. Sua formação multiétnica e a diversidade cultural existente nos diversos rincões do país fariam com que o Brasil se afirmasse como um país de diversas linguagens culturais, a partir do intercâmbio das culturas afro, indígena, sul-americana e europeia.
Getúlio Vargas iniciara as inúmeras realizações trabalhistas privilegiando os trabalhadores como, atores sociais e políticos centrais, e colocando o trabalho como uma autêntica Política de Estado. A cultura brasileira valorizada na Era Vargas forjava o incentivo à imagem do trabalhador e à riqueza das manifestações culturais do povo brasileiro, em contraposição à influência “europeizante” colocada pelas elites brasileiras na Primeira República.
Como resultado de suas ações, promovendo a identidade nacional e projetando a modernização do Brasil a partir do trabalho, Vargas foi perseguido pela direita brasileira e por forças reacionárias e internacionais, onde teve que dar um tiro no peito para livrar o país de um golpe em marcha. Tudo isto para salvaguardar a identidade nacional e um projeto nacionalista e democrático-popular. Foi com Getúlio a criação da Petrobrás, da legislação trabalhista, do BNDES, da modernização do Brasil e demais ações voltadas aos interesses do povo.
Com João Goulart não foi diferente. Jango assumiu a Presidência e, como herdeiro do trabalhismo, começou a tomar medidas nacionalistas e populares, como o 13° salário, a criação da Eletrobrás, a lei de remessas de lucros ao exterior, o Estatuto do Trabalhador Rural e demais ações. Tais medidas incomodaram interesses internacionais que sempre quiseram oprimir e explorar o país. Em 1964, o Brasil sofre o golpe civil-militar e o projeto popular de nação para o país é interrompido.
Na redemocratização do Brasil, depois de duas décadas de tempos sombrios, o projeto de nação do Trabalhismo volta na liderança de Leonel Brizola, atuante desde os anos 1950 e 1960, onde governara o Rio Grande do Sul e, mais tarde, se tornara deputado federal pela Guanabara. Fora o próprio Brizola que garantiu a posse do presidente João Goulart na Campanha da Legalidade.

A cultura, nas mãos do povo, é o elemento de resistência diante das tentativas de cooptação e de colonização cultural promovidas pelas elites brasileiras, como sócias minoritárias das elites e corporações internacionais. A resistência através das lutas sociais e movimentos sociais são permanentes. O projeto trabalhista de pátria e nação estão vivos e passa pelo fortalecimento dos movimentos sociais e pela cultura brasileira que é a síntese da identidade viva de uma nação.
O projeto de nação do Trabalhismo passa pelo fortalecimento da participação popular, como alvo e agente das transformações sociais, políticas, econômicas e culturais. Aliás, o Trabalhismo sempre teve suas raízes fincadas nas lutas sociais e na identidade cultural. É um projeto autêntico, com a marca brasileira, na construção de uma nação e uma pátria forte!


Fonte: Instituto Leonel Brizola-Alberto Pasqualini


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