quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Golpe de 64, o golpe contra o ultimo legado Getulista







O Golpe Militar de 1964 foi à estabilização de uma duradoura sequência fracassada de golpes que se estenderam desde o ano de 1954, e após 10 anos finalmente se sucedeu. Um Golpe oportunista que usou a “ameaça comunista” como argumento para afastar da política do país a corrente que simbolizava o legado da política Varguista, e fazer com que definitivamente a economia brasileira estivesse ligada aos interesses do capital internacional. 

A ‘’ameaça comunista’’ foi um pretexto usado para dizer que o regime de João Goulart estava prestes a arquitetar um novo Golpe de Estado, de caráter Comunista. Tudo por conta de sua aproximação populista com os operários, os sindicatos e outras entidades que representavam as classes trabalhadoras, e por sua ligação próxima em relação à União Soviética. 

Naqueles tempos, tudo piorava com o assassinato do presidente norte americano Jonh F. Kennedy. Com isso, os americanos começaram a colocar em prática sua forma de imperialismo nos países mais propensos a se unir ao bloco comunista. Desta forma, começaram a arquitetar Golpes de Estado para derrubar presidentes que de certa forma tinham alguma relação com a União Soviética mesmo que a relação fosse apenas de diplomacia.

Os Estados Unidos pretendiam ‘’varrer’’ qualquer regime que conspirava a se tornar mais um bloco comunista nas Américas, assim, deram todo suporte para as Forças Armadas dos países Sul-Americanos derrubarem os regimes que mais tendiam a políticas de esquerda.

João Goulart não era comunista, Jango era um reformista, mas, naquela época meio a um caos político, não havia opções, quem não era de direita e capitalista era tachado de esquerdista e comunista. Com seu caráter reformista, os conservadores não viam com bons olhos as reformas de base arquitetadas pelo seu Governo, ainda por cima, Goulart sofria falsas acusações do jornalista Carlos Lacerda e de todos os seus seguidores. A oposição liberal passou a utilizar do fantasma do comunismo para fazer com que parcela do povo Brasileiro se opusesse às políticas populares de Jango e o transformasse no vilão do país.

Por mais que João Gourlart fosse taxado dessas falsas acusações, foi inegavelmente o herdeiro do legado getulista. A ligação entre Goulart e Vargas não foi somente atrelada à política, era uma ligação mais forte baseada no vínculo de amizade existente entre a família Goulart e a família Vargas, uma relação quase que diária que de certa forma fortaleceu essa ligação de fidelidade e confiança entre os dois ex-chefes de Estado, na política da doutrina trabalhista.

Getúlio transmitia suas coordenadas políticas ao seu ‘’discípulo’’, que seguiu abertamente os ideais na política getulista em base de toda sua ênfase ao nacionalismo econômico e a política trabalhista. Essa relação entre ‘’mestre e discípulo’’ se apresentou ao longo da história política entre as décadas de 40 e 50, que sustentou a relação de confiança e lealdade existente entre o Ministro do Trabalho da época (João Gourlart) e o Presidente da República Getúlio Vargas.

Jango foi indicado por Getúlio Vargas para ocupar o cargo de Presidente Nacional do PTB, justo por demonstrar competência de dirigir o partido em âmbito nacional, pela agremiação política das vertentes sindicalistas e getulistas. Foi em decorrência do que foi feito junto das classes populares trabalhadoras, pelo trabalho e concretizado com o fortalecimento do PTB, que Goulart começou a presidir o partido. Por ser um dos principais portadores dos ideais getulistas e compreender sua liderança e facilidade de relacionamento com as classes populares, que Goulart foi indicado por Vargas a ocupar o Ministério do Trabalho.

Foi um homem de Getúlio, foi à imagem e semelhança de um discípulo que acarretou contigo os ideais e as políticas getulistas, tanto no âmbito de nação, como no âmbito de trabalho. Jamais almejava que a economia brasileira estivesse fortemente ligada aos interesses internacionais, pois abrangia consigo a defesa e centralização do nacionalismo econômico no país.

Goulart, na década de 60, na época já eleito Presidente da República, foi posto a tensões conspiratórias da oposição sobre seu governo, onde seguiam combatendo o legado da política. Em meio às inúmeras tensões, acusações e conspirações de seu regime, Goulart foi deposto pelos militares em 1964, o ano em que o Brasil suspirou seu último dia em que mantinha de pé sua soberania e independência nacional da economia estrangeira, o dia em que foi quebrada a corrente nacionalista e trabalhista do Brasil, o dia que suspirou pela última vez o verdadeiro legado político de Getúlio Vargas.

Em consequência do Golpe, o país foi entregue erroneamente nas mãos dos militares que foram usados como ’’fantoches’’ pelos Estados Unidos da América, país que arquitetou e hostilidade contra a soberania de diversos países.

Economicamente já com os militares, a economia brasileira foi internacionalizada, onde eram quebradas diversas empresas estatais e privadas levando a serem compradas por multinacionais, aumentando desta maneira o domínio do capital estrangeiro na economia do Brasil.

Anos após anos o Brasil entrou em endividamento externo e no atrelamento junto a FMI, onde eram efetuados diversos e grandes empréstimos para financiar as obras do país. Em apenas um ano de governo militar, o Brasil já devia cerca de seis bilhões de dólares, e logo após vinte anos essa dívida aumentou de uma forma imensa, o que resultou a quebra da economia nacional, pois o Brasil devia cento e vinte bilhões de dólares na dívida externa.

O ano de 1984 ficou conhecido como a ‘’década perdida’’, onde a economia do país não crescia de forma alguma e a inflação atingiu índices em que jamais se via na história do país. Socialmente já com um novo modelo econômico imposto, foi dado o início do arrocho salarial que atingiu diretamente o salário mínimo que em termos reais perdeu mais de 50% do seu valor. João Goulart meses antes do início da Ditadura ainda como atual Presidente da República da época, aumentou o salário mínimo em 100% do seu valor.

O Brasil vivenciou grandes movimentos migratórios do norte e nordeste para São Paulo e Rio de Janeiro e do campo para as cidades. Com baixa renda, falta de moradia, a esperança de uma vida melhor nas correntes migratórias se diluiu, o processo de ‘’favelização‘’ estava presente nos grandes centros urbanos e a criminalidade cresceu de forma assustadora no Rio e na Capital Paulista.

Com resultado da hostilidade do Golpe militar de 1964 perante período histórico brasileiro e a política implantada pela Era Vargas, sequelas inapagáveis diante da soberania da pátria e a economia nacional, conceitos sociais e culturais brasileiros foram se diluindo ao passar dos anos, principalmente contra o que foi deixado à nação por Getulio Vargas. Vínhamos há décadas construindo uma nação independente, legitimamente trabalhista, soberana e economicamente forte, quando foi sobreposto o golpe, todos estes bens nacionais foram postos nas mãos daqueles que nada representavam a pátria, pois foram postos de maneira entreguista às práticas do imperialismo norte-americano, onde tiveram fins de se opor ao caráter Varguista presente e consolidado no país. O ano de 1964 não foi apenas caracterizado pelo início da ascensão de um novo período político-militar no país, foi marcado pelo golpe que deu ao fim o ultimo legado getulista.

BRASIL ACIMA DE TUDO E DE TODOS!

FILIE-SE!

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